Porquê dietas restritivas falham

Conforme o tempo vai passando, para quem não conseguiu ajustar a alimentação, o efeito sanfona começa a aparecer. Hora perde o foco da dieta, hora se cobra além da conta. Se você já sentiu que a restrição é a maior inimiga da sua constância, saiba que existe uma explicação. Dietas “milagrosas” ou muito radicais terminam em frustração e ganho de peso. Entender como seu corpo funciona é o primeiro passo para fazer as pazes com a comida. Vamos entender o que acontece quando você decide parar de comer ou restringir demais sua alimentação:
Imagine que seu corpo é uma casa com um sistema de segurança muito antigo, mas extremamente eficiente. Para esse sistema, não existe “dieta para o verão” ou “casamento no próximo mês”. Para o seu organismo, comer muito pouco significa uma coisa só: fome e perigo. Quando você corta drasticamente as calorias, seu corpo não entende que você quer emagrecer; ele entende que você está passando por uma crise de escassez (como se estivesse perdido em uma floresta sem comida). Para te proteger, ele ativa um “modo de emergência” que muda completamente a sua química interna.
O primeiro sinal desse modo de emergência é o aumento da grelina, o hormônio da fome. Imagine a grelina como um alarme de incêndio que toca sem parar. Quanto mais restritiva é a dieta, mais alto esse alarme toca. Não é falta de força de vontade; é o seu cérebro gritando para você procurar energia. É por isso que, depois de alguns dias de restrição severa, você começa a pensar em comida o tempo todo e o desejo por doces e massas (fontes rápidas de energia) se torna quase incontrolável.
Dietas radicais são um estresse enorme para o organismo. Em resposta, o organismo libera mais cortisol. Esse hormônio é conhecido como o “hormônio do estresse” e tem um papel ingrato para quem quer emagrecer: ele sinaliza para o corpo que é hora de estocar gordura, principalmente na região da barriga, para garantir que você tenha reservas caso a “crise” continue, ou seja: você sofre passando fome, seu corpo se estressa e, ironicamente, ele faz um esforço extra para segurar a gordura que você tanto quer perder. Se a comida chega em menor quantidade, o corpo se torna extremamente econômico: pode diminuir a temperatura, reduzir a velocidade dos batimentos cardíacos, te deixar mais lento(a) e cansado(a).
Tudo isso é absolutamente normal, seu metabolismo não “quebrou”, apenas se ajustou para sobreviver com a nova quantidade de alimentos que está disponível. Esse cabo de guerra bioquímico quase sempre termina no que chamamos de efeito rebote. O momento em que os mecanismos instintivos vence a força de vontade. Geralmente ocorre o episódio de exagero alimentar, onde você come muito mais do que o normal porque seu corpo está desesperado para repor o que perdeu. Como seu metabolismo foi adaptado para estocar energia, você acaba ganhando o peso de volta com uma facilidade assustadora.
A ciência nos mostra que a única forma de vencer esse ciclo é através da nutrição comportamental e qualitativa. Ao contrário de restringir, é preciso:
- Nutrir: dar ao corpo alimentos naturais que promovem saciedade e desinflamam o organismo.
- Equilibrar: entender que não existem alimentos proibidos, mas sim frequências diferentes de consumo.
- Respeitar: aprender a ouvir os sinais de fome e saciedade do próprio corpo.
A constância não nasce do sacrifício insuportável, mas de um estilo de vida que você consiga manter com prazer e saúde em todas as etapas da vida.


